domingo, 22 de junho de 2014

Dezesseis de Maio


  Não sei se foi a curiosidade despertada em mim depois de tanto tempo, ou foi simplesmente seu sorriso. Fico em dúvida se seu olhar tímido -associado à sua mania de olhar pra baixo quando não tem coragem de responder algo- ou sua voz forte que me fizeram sentir as tão remotas borboletas no estômago mais uma vez. Me questiono se fui eu quem te achei, ou se você me encontrou.
  Passei muito tempo de minha vida procurando alguém que correspondesse aos meus preceitos, concordasse com minhas opiniões e que tivesse um ou dois autores em comum para discutir teorias. Mas não. Agora vejo que, uma das coisas que mais me prendem a você, é aquilo que há de diferente entre nós. 
   Te decoro a cada instante, e não me canso de pensar em como você vai me abraçar pela manhã, de que maneira vai chegar até meu pescoço e beijá-lo num ritmo quase tão lento quanto seu modo de falar, em como vai me virar do avesso e me deixar amarrotada, apenas esperando por mais um toque teu. Às vezes me pego ouvindo aquelas músicas (as quais não havia conhecido até então) e quase te ouço dizer ''a gente tem tudo pra dar certo''; ou até mesmo buscando aquele restinho do seu perfume que ficou impregnado em meus pulsos, ombros e cabelos. 
   Você já deve saber que me entregar é difícil, porque voltar atrás para mim é complicado. Espero que esse destino tenha se cansado de brincar comigo porque creio que, somente agora, encontrei o melhor lugar do mundo dentro de teu abraço.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Um estranho familiar




Seu olhar é frio,
tímido
escuro
vazio.

Sua pele me chama,
e a minha corresponde.
Meu corpo por ti, clama.
Mas você sempre se esconde.

Seu sorriso é incandescente
ilumina tudo que existe ao teu redor.
Por quê há de ser assim, tão diferente?
Me sentir desse jeito talvez não seja o melhor.

Quero poder colocar minhas mãos nas tuas,
enlaçar meus dedos  aos seus.
Descobrir suas verdades, ainda que nuas e cruas,
Poder encontrar meu próprio eu,
no seu.

Encantamento talvez seja, 
ou um desejo primitivo.
Dê o próximo passo, 
olhe-me de um modo mais sereno.
Mas acalme, por favor
esse meu coração pequeno.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Choice


  Ouvi repetidas vezes algumas pessoas dizerem que estão 'no seu momento.' Achei, no mínimo intrigante visto que os donos das frases possuíam diversas idades. Me pergunto: o que exatamente é esse momento? Para uma criança pode ser a conquista de um brinquedo novo, depois daquela euforia danada acompanhada de longa espera pelo papai noel pontual e justo. Para um pré-adolescente pode ser o primeiro beijo, o primeiro show, um fim de semana na casa de amigos. Para um adolescente -propriamente dito- pode ser a aprovação no vestibular, a conclusão do ensino médio. Os adultos podem dedicá-lo ao primeiro emprego, à satisfação conquistada pelo mesmo. Já na melhor idade, na segunda infância, ou na vida de um idoso (como preferir) pode ser aquele instante eterno de dever cumprido, de missão acabada.
   Mesmo depois de citar inúmeros exemplos me vi um pouco mais perdida e quem sabe até mesmo vazia. Tenho ainda prazeres simples e ingênuos como uma criança após tomar um sorvete. Guardo comigo o gosto não do primeiro beijo, mas do segundo, por ser mais marcante que os anteriores -e provavelmente os próximos. Tenho 17 anos, não concluí o ensino médio, mas já consegui aprovação em um vestibular. Não consigo pensar em como será minha vida depois do término desse ano e imaginar o início do próximo me dá mais medo. Preocupação comum a adultos. Insegurança de uma criança. 
 Não creio que esses fantasmas da incerteza assombrem apenas à mim, mas esse 'mix' de sensações  é o que me move e me conduz a um caminho sinuoso e, de certa forma, me atrai de uma maneira inexplicável. 
   É irônico ser referência para alguns, e perceber o quão longe do princípio estou, ainda que me sinta cada vez mais próxima do fim.  Será que estou me aproximando do 'meu momento'?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

365.


 Faz um ano que já não é possível mais te ver com tanta frequência e 'matar a saudade' apenas pegando um ônibus, aproveitando uma folga do colégio, saindo pra tomar um sorvete ou pra ver um filme. Não é tão fácil pensar na possibilidade de não poder mais desabafar ou procurar soluções depois de alguns instantes de conversa olho no olho. Mais complicado ainda é saber que isso só tem acontecido por telefone, quando acontece. São 12 meses distintos. Alguns passaram vagarosamente e me fizeram pensar que o tempo não pode curar tudo. Outros, por outro lado, mal permitiram ser percebidos pois voaram com a possibilidade de que no próximo poderia vê-lo. É fato dizer que todo esse tempo só adquiriu esses significados pois você, de uma maneira ou de outra, sempre se fez presente neles.
  Cheguei a acreditar que a saudade diminuiria depois de tanto tempo, ou sendo otimista, apareceria poucas vezes. Mas o fato é que ela é imprevisível a ponto de literalmente surgir quando ela quer e desaparecer no mesmo ritmo. Apesar de um pouco mais 'preparada' ainda não aprendi a lidar com ela, e pelo jeito, nem ela comigo.
  Um pedaço de você ficou quando se foi, e garanto que alguns te acompanharam. Não preciso de muitas linhas pra lembrar-te do quão especial és, e da falta que ainda faz. Todos os dias. Não encare hoje como uma data com alguma importância singular no calendário ou algo do tipo, apenas a veja como o fim de um ciclo ou até mesmo a esperança de um ano melhor. Porque Dezembro deve ser um mês de novos planos e ideias pro futuro, e pode ter certeza de que você faz parte de grande parte deles.
  Se cuida, e até breve, amigo.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

1.5



Quinze é o cobertor
o café
a moldura
o calor.

Quinze é a música sintonizada por acaso
é a data em destaque no calendário
o primeiro raio de sol na manhã nublada
é o tudo
quando não há nada.

Quinze é a saudade e a esperança de dias bons.
É o beijo roubado
o porto alcançado
o astro iluminado
o sonho distante.

Quinze é a transpiração,
o calafrio.
São borboletas no estômago vazio.
É a cunfusão de pensamentos.

Quinze é razão
é emoção
é angústia
é solução.

Um número.
Uma noite mal dormida.
Alguns choros contidos.

Quinze pode ser o fim. Ou apenas o começo.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

After


E foi numa tarde de ventos amenos e de calor confortável que o inferno começou a mostrar indícios existência. Talvez a sensação de bem estar e conforto tenha feito com que ela agisse assim, sem pensar que seus momentos de êxtase poderiam se transformar no oposto. Dizem que garotos tem seus mistérios, que nunca dizem não. A 'regra' não se aplica apenas a eles. Quando uma garota perde a linha por alguns instantes os outros próximos podem estar comprometidos de uma maneira assustadora. No seu caso não foi diferente, pequena.
   Algumas vezes o que para ti não passa de uma brincadeira, para outros tem um significado diferente. Não sei se se arrependes de algo feito ou sentes algum tipo de desejo de relembrar sensações de perigo , do frio na barriga por agir escondida, de fazer o algo por impulso, e esse é justamente o ponto alvo de minha preocupação. Pessoas impulsivas tendem a ficarem bem por instantes e nem tanto por outros. Às vezes não vale a pena arriscar seus escassos sorrisos por quem nunca o conheceu de verdade.
   Quero que saibas que continuarei fazendo o que me pediu há alguns meses: vou te esperar ficar bem, mesmo que aparentes já estar. Sinto sim saudades de do que chegamos a ser um dia, sinto-me, entretanto, aliviada pela sensação de conforto que surge todas as vezes que te vejo gargalhar e rir da sua vida, dos passos dados, das pessoas que se foram, das que surgem e dos sentimentos novos de seu coração. Te observo e cuido de você mesmo de mãos atadas, distante, cumprindo as promessas por mim feitas desde que a conheço.
   Não se vá, se cuide.

domingo, 16 de setembro de 2012

Stronger


   É engraçado ser julgado como anormal por quase todos apenas por me contentar com o que pra eles é pouco. Pouco no sentido de não ter por perto e ainda assim sentir junto. Pouco se comparado ao que os próximos podem fazer, mas se limitam. Talvez por medo, receio, ou preguiça mesmo. Eles não precisam entender por quê surgem em minha face sorrisos tímidos, o motivo pelo qual minha pulsação muda de ritmo ou a razão de açaí ser tão bom em dias quentes. Mas não importa, não me sinto mal por isso.
   Depois de um tempo, ainda indefinido, tudo muda, e considero sorte conseguir acompanhar esse ciclo. Escolhi fazer das mudanças uma maneira de continuar bem, até mesmo feliz, porque conto nos dedos as razões suficientes para agir assim. E quer saber? Tá dando certo. Optei por situações mais simples, nas quais os problemas não são necessários, mas sim, opcionais. Você pode estar pensando que sou covarde e tento fugir deles, e talvez não estejas totalmente errado. De acordo com o meu ponto de vista, se tenho pouco tempo para dizer/sentir/ouvir tudo aquilo há muito restrito nada mais justo do que consumi-lo com coisas boas, coisas tão abstratas quanto o termo usado para 'definí-las'. 
   Dificilmente -para não dizer impossível- pensarei em mudar a melhor fonte dos meus melhores sentimentos e das melhores sensações, por mais que não habites mais a mente de todos. És bem mais que imaginas, falo sério. Concordas que ser o motivo principal da felicidade de viver de meia dúzia de pessoas não é considerável? Sua importância é ainda maior que seu sorriso. 
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