quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Cais de porto.



Chovia. Acelerado e pouco ritmado, seu coração quase não cabia dentro do peito.Talvez porque este fazia o trabalho de muitos, incansavelmente, e sempre. Por mais que ela já tivesse imaginado esse momento centenas, milhares de vezes tudo parecia novo demais, e isso fazia seu corpo inteiro tremer. Seria forte, doce, ou quase imperceptível o cheiro de seu perfume? Era algo incerto, mas ela tinha certeza de algumas coisas porém. Seus olhos iriam se arquear bastante quando ele a visse, de maneira que suas bochechas ocupariam quase todo seu rosto, dividindo o espaço com um sorriso exuberante, com o qual ela sonhou muitas vezes. Talvez um pouco torto, sem jeito, apareceriam na face dos dois, como quem muito quer, mas não sabe ao certo o que pensar, sentir, ou dizer.
Provavelmente a cena pasasse despercebida por muitos, mas para eles seria o melhor momento de todos. Você pode compará-lo com diversas situações. Quem sabe a sensação de alegria se assemelhe com alguém que descobre um trevo de quatro folhas em um campo aberto, de alívio ao encontrar um bote em um grande rio, ou quem sabe se agarrar a uma chance única em sua vida? Você pode utilizar até mesmo hipérboles, mas nunca saberá realmente do que se trata, a menos que já o tenha vivido.
Ela só sabia que estava ali, e não voltaria jamais. Seus olhos não acreditavam no que via, tentou até fechá-los por alguns instantes, na tentativa de confirmar algo tão indescritível. Alguns passos, poucos metros, distâncias insignificantes a separavam de seu refúgio. Ela só queria aproveitar o momento e, as gélidas gotas que caíam sobre ela já não tinham importância, sabia que dentro de alguns instantes se aqueceria inteiramente, e quem sabe perderia por momentos os seus sentidos.

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