quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Prefácio número um.


Ela vai ser amada, todos os dias. Pela sua primeira, segunda, terceira família. Dispensarão a ela o amor mais puro, os sentimentos mais límpidos e concretos que se pode imaginar. Dentre muitos, ela terá todas as manhãs um alguém para lhe abraçar, dizer-lhe um bom dia, perguntar se está bem e fitar seus olhos, de maneira que reconhecerá toda a sua tristeza em um só olhar. Ele vai tentar de todas as maneiras saber a verdade, o que realmente a aflinge, e se certificar, mesmo que depois de muito tempo, que a culpa não é dele. Ele vai estar lá, da maneira mais discreta possível.
Ele perderá a linha algumas vezes, e isso o marcará por muito tempo. Vai revirar histórias aparentemente já esquecidas para quem sabe, encontrar a solução de alguns problemas. Vai sorrir nervosamente, quando não conseguir dizer o que realmente pensa. Estará com ela, sempre. Por perto, de longe, medindo as palavras e não poupando esforços. Saberá a hora de pedir desculpas, e de dizer te amo. De ficar, esperar, tentar. E de dizer adeus.
Ele ficará o máximo possível, e fará de tudo para não deixá-la perceber que os dias estão se esgotando, e que as batidas do relógio ficarão mais aceleradas. Ele aparecerá na maneira mais encantadora possível, e isso a levará a um novo patamar, quase surreal. Vai se abrir sempre que preciso, e esvaziará seu coração constantemente.
Aparecerá nos momentos mais complicados, com seu jeito doce e único. Servirá de base e apoio, renovando todas as suas baterias em minutos. A tirará do chão por instantes, e sempre, SEMPRE a deixará mais leve, e com um alívio indescritível depois de cada momento. Seu sorriso trará toda a luz que ela necessita, e acabará de vez com a escuridão que assombra sua mente.
Vai ser um de seus melhores presentes, o mais completo. E mesmo que o futuro seja incerto, complicado, confuso, despedaçado, calculado, anunciado, previsto, imaginável, e próximo nada vai conseguir realmente separá-los. E isso se manterá estável enquanto ambos acreditarem.
É fato, eu amo você.



sábado, 12 de fevereiro de 2011

Here, now.


E no meio de muitos, lá estava ele. Vestia a roupa do colégio, perfeitamente ajustada em seu corpo. O tom escuro e sombrio das cores, e símbolos pela roupa espalhados, poderiam caracterizar mais uma camiseta comum, mas tudo aquilo lhe caia tão bem. Criava um contraste com sua pele clara e uniforme, que mais parecia uma seda recém tecida. Seus traços eram profundos e sinuosos, abriam espaço para seus olhos negros que mais pareciam fixar o além. Talvez por medo, timidez, insegurança, ou quem sabe eles apenas não haviam encontrado aquilo que realmente procuravam? Sua boca. Seus lábios inferiores eram carnudos, e por distração ou tensão, eram constantemente mordidos. Seu sorriso me iluminava, e soltava sem esforço algum, as borboletas que eu tentava controlar em meu estômago.
Era minha rotina, acordar de um sonho onde eu sentia seu calor, e encontrar a versão real de você, que ultimamente se mantia afastada de mim. Você me deu motivos, e a cada olhar eu podia ler que você não estava bem. Isso me atingia, me quebrava. Seria bem menos complicado te abraçar, ouvir teu coração mais uma vez e ficar ao teu lado enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto. Te ter perto de mim, servir como ponto de apoio, referência, me fazia bem. Era um dos meus melhores momentos, até porque enquanto ouvia a dor de suas palavras, eu não precisava usar minha melhor máscara e esconder as minhas. É mórbido, eu sei, mas são os últimos momentos que tenho em minha mente desde que você .... desde a última vez em que eu pude ouvir suas melhores palavras.
Eu poderia te comparar com o ar que me mantém firme, mas hoje eu já não sei. Eu estou viva, certo? Errado. Você foi um dos poucos que ainda não enxergou minha tristeza constante, meus olhos que mais se assemelham com um espelho, que apenas reflete aquilo que se põe em minha frente. Embaçado, sem brilho, sem rumo. Na realidade, acho que você já percebeu, mas provavelmente, o medo de já imaginar o motivo esteja te consumindo.
Você está tão perdido quanto eu , meu querido. Os ventos sopraram para o sul e para o norte, e se continuarmos caminhando, procurando, ainda nos encontraremos, e eu espero ansiosamente por isso, meu anjo.