terça-feira, 26 de abril de 2011

Abstrata.


Felicidade quase nunca esteve presente no meu vocabulário, pelo menos não quando falava de mim. É um sentimento inconstante, e ao mesmo tempo, vive de extremos. Quando surge, faz meu coração acelerar, fazendo assim minha pulsação perder seu ritmo. Torno-me ofegante e o brilho de meus olhos reaparece. Meu sorriso surge de maneira involuntária, e ao perceber isso, vejo minhas bochechas ficarem coradas imediatamente.
Se por um lado ela quase não me visita, conquistá-la e de certa maneira fácil pra mim. Surge as vezes pelo simples fato de receber um abraço da minha pessoa mais linda do mundo, ou mexer nos cabelos de uma amiga. É tão imprevisível que esta ousa me surpreender até quando arranco de uma só vez aquele enorme pedaço de esmalte na unha, que a horas me incomodava, ou encontrar sorvete de cereja com baunilha num fim de tarde.
Perceber aquele solo de guitarra, seguido de um aparentemente 'grito' de sua banda favorita traz um bem estar absurdo. Decodificar as notas do violão de teu maior ídolo te leva a um outro patamar. Acordar logo cedo, e ver que milagrosamente seus pais estão te esperando pra tomar juntos, por 7 minutos o café da manhã com você faz com que um comum dia se torne mais colorido. Andar a cavalo, prestando mais atenção na sua coluna torta e em seu medo de cair ao invés de curtir, torna o momento no mínimo, diferente. Receber sms de madrugada de seu melhor amigo dizendo que chegou bem em casa serve quase como uma permissão para conseguir dormir profundamente.
Descobrir quantas cores se misturam nos olhos de seu cachorro, conseguir montar um castelo de cartas, ler seu livro favorito na sombra da sua árvore, ver que o céu está no tom certo como apareceu no seu sonho da noite anterior, lembrar do gosto de seu segundo primeiro beijo, ser mordido carinhosamente e sentir de perto aquele hálito doce que lhe gela a espinha. Fazer acontecer, e contar com uma pitada de imprecisão momentos antes, é ah, tão único.
Felicidade não se relaciona apenas com sorrisos. Chorar vendo aquele sua foto predileta, a cena mais marcante daquele filme que ninguém conhece, perceber que você ama e é amado na mesma intensidade e se perder em meio às lágrimas, tudo isso é sinônimo de alegria.
É abstrata, quem sabe quase irreal, mas funciona como oxigênio quando já não sinto mais a mínima vontade de respirar.