domingo, 29 de maio de 2011

Teardrops


Eu erro sempre por pensar que você precisa entender minha dor. Erro ainda mais em acreditar que tu me entendes. Talvez no fundo isso aconteça, mas se verdade fosse, tu se preocuparia em pensar um pouco mais no que eu sinto, naquilo que vejo, no que me quebra. Talvez não por ingenuidade, mas acredito em promessas. É como se no momento em que ela é feita, um pedaço de mim acabe comprometido. Quando você a cumpre, ele permanece, mas é uma pena ver que o contrário também acontece. Sei de seu esforço, da sua vontade de me ver bem. Mas minha necessidade por pequenos e únicos momentos é ainda maior que sua razão. Involuntariamente, ou não, você me traz dores proporcionais às suas doses de alegria.
Eu tenho tão pouco tempo.
O fato de te ter como protagonista acaba comprometendo toda a minha história, e por mais que eu anseie por um final longo e feliz, o destino acaba atrapalhando meu script. Te leva, me traz, te afasta, me consome. Me usa, me machuca, me olha, me convence. Rouba minhas lágrimas mais tristes, e me presenteia com cada vez mais escassos sorrisos.
Dói perceber que uma lágrima de alegria é mais rara que a mesma quantidade de angústia. Deveria ser assim mais valiosa, e quem sabe prolongar seu efeito por pouco mais tempo. Percebo hoje que isso é em vão. Eu detesto perceber essa dependência, mas ela é tão necessária como meu ar. Eu preciso da sua companhia pra respirar.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Dispersa


Ele a pertencia, e isso era inegável. A menina possuía agora todos os pretextos do mundo para ser, e se manter feliz. Havia encontrado a maior razão de seus sorrisos, de seus sonhos, a fonte das suas inspirações. Ele era mesmo real, e a cada abraço apertado que recebia todas as manhãs com uma pitada de surpresa confirmava tal teoria. Na verdade, ela já esperava por isso. Aguardava, planejava, imaginava cada toque da sua mão em seu corpo, os dedos que corriam seus cachos e nunca ultrapassavam sua cintura. Cada beijo doce, que terminava sempre com uma mordida no seu lábio inferior. Cada olhar, que em poucos segundos conseguia ler toda a sua alma, e libertar tudo aquilo preso durante muito tempo na parte mais obscura nela existente.
Ela o conhecia, embora não se acostumasse com isso. Já havia decorado suas atitudes, suas palavras de apoio, cada movimento resultante de sua aproximação. Isso de certa forma libertava as borboletas presas em seu estômago, pois só a possibilidade de tê-lo um pouco mais perto, corava suas indiscretas bochechas. Ele era incrivelmente lindo, minimamente moldado para ela. Poderia passar horas ali deitada confortavelmente em seu peito, ouvindo sussurros apaixonados de um alguém tão surreal. Não era esforço nenhum observar por horas seus olhos tão bem desenhados e dois tons mais escuros, em relação ao seu cabelo. Sua boca funcionava como um ima, e tocá-la mesmo que por instantes era suficiente.
Parou ali, e foi naquele fim de tarde, quando o sol já ameaçava se esconder por entre nuvens ralas, que ela escolheu. Tomou a decisão mais certa, e e talvez a mais difícil de sua vida. Resolveu ignorar o resto, sentí-lo como nunca antes havia feito. Ouviu e decorou o ritmo de seu coração, o som de sua respiração, seu cheiro de almíscar. Se aqueceu como calor incomum de sua pele, acomodou seus dedos entre os dele, formando assim um encaixe perfeito. Ouviu o silêncio daqueles instantes e prometeu para ele mesma, que por mais que a machucasse, a quebrasse e aos poucos minasse seus segundos de vida, ela o manteria por perto, atrasando ao máximo sua despedida, tão próxima, tão certa, tão tenebrosa, pouco convencional, e tão dolorosa. Ela o amava com todas as forças, ainda que poucas, mas acharia um meio de se recuperar pouco a pouco com as doses de carinho quase diárias, vindas de seu porto seguro.