segunda-feira, 7 de novembro de 2011

18° letra


Ainda que parta, continuará nas poucas músicas que ainda me remetem tua imagem. Nas risadas toscas sobre um fim de semana tumultuado. Nas discussões sobre a veracidade dos fatos e do interesse alheio de pessoas desconhecidas sobre sua vida. Nas lembranças de um outono feliz onde a maior distância se tornou motivo para saudade. Saudade que talvez não exista mais, em uma das partes. Permanecerá na cereja do sorvete, nos abraços quase diários. No cheiro de almíscar e no conforto das palavras, Nas orações, nos pedidos, nos prefácios.
Se antes buscava artifícios para lembrar, hoje me esforço para esquecer. Esquecer todas as lágrimas derramadas em vão, todos os argumentos fracos e sem fundamentos. Deixar se perder na memória todo o esforço renegado e o coração aflito que hoje insiste em não esperar nenhuma surpresa. Não se esforçar mais para procurar saber a verdade ou uma explicação de um parente abandono.
Mentiria se dissesse que me arrependo, sofro ou me machuco. Feliz ou infelizmente estou conseguindo conjugar tais verbos no passado. Não se pode planejar um futuro se baseando em resquícios de dores já passadas, entretanto, não cabe só a mim relevá-las.
Cumprirei minhas promessas até quando conseguir, e garanto-lhe que terão uma maior validade se comparadas às suas. Não direi adeus a uma parte de mim, mas poderei ser obrigada a deixá-la um pouco mais escondida e menos influente, por mais penoso que seja.
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2 comentários:

  1. Menina, escreves-te tudo que sinto aqui. Muito lindo esse texto, não somente este, como os outros. :)

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