quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Wake

  




Acordava. Sentou-se na cama, esticou seus curtos braços e pernas, sentiu cada músculo se retrair e seu pescoço voltar para o lugar. Se olhou no espelho, fez uma careta e se dirigiu ao box. A ducha fria caia no seu cabelo e a fazia arrepiar por alguns instantes. Era um dos poucos momentos em que ela realmente conseguia pensar sem influências externas, era nesse instante que conseguia ouvir seus pensamentos. Apesar de comum e esperado, aquela manhã iniciaria um novo ciclo. Ela já havia parado de ensaiar alguns sorrisos há algum tempo, já não eram mais tão necessários. Talvez porque muitos fantasmas dos meses anteriores já tivessem partido, e ela agora estava pronta para dar mais um passo, dessa vez, sozinha. O cabelo molhado a fazia sentir frio, muito frio. Ela se lembrou do quanto adorava essa sensação. Como de costume, preparou seu café e beijou o bilhete de bom dia deixado pela mãe sobre o forro de renda há algumas horas. Brincou com o café na caneca e tentou ver algum desenho se formando na espuma.  Olhou para o relógio, ainda tinha alguns minutos. Após vestir a roupa de costume, penteou os cabelos e cultivou por instantes a ideia de cortá-los, mudar sua cor, ou deixá-los ter vida própria. Escovou os dentes e reconheceu o cheiro de baunilha do seu perfume. Certificou-se de que estava apresentável e saiu portão a fora. O sol estava sorrindo para ela, achou justo retribuir tal cumprimento. Atravessou ruas, acenou para pessoas, colocou os fones de ouvido e procurou aquela música. A música dele. Sorriu. Dentro dela, em algum lugar oculto, a esperança de encontrar algo ou alguém que lhe fizesse esvaziar a mente por alguns instantes, crescia. Embora achasse difícil, não adiantaria de forma alguma continuar naquela posição, estática para todos, deixando a vida passar diante dos seus olhos, sem nenhum intenção de tentar aproveitá-la. Após andar por um quarto de hora, lá estavam eles. Como era bom sentir aquele cheiro de novidade que exalava das roupas depois da cada abraço e reconhecer algumas faces, dos anjos que lhe serviram de apoio. Ainda era estranho procurar o rosto dele e simplesmente, não encontrar, além de não poder sequer cultivar alguma expectativa de vê-lo por muito tempo. Respirou fundo e sentiu a brisa da manhã tocar seu rosto. Será que algo bom a esperava na mesma intensidade que ela? O sinal tocou, era o momento de tentar manter o ritmo do seu coração.

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