domingo, 22 de junho de 2014

Dezesseis de Maio


  Não sei se foi a curiosidade despertada em mim depois de tanto tempo, ou foi simplesmente seu sorriso. Fico em dúvida se seu olhar tímido -associado à sua mania de olhar pra baixo quando não tem coragem de responder algo- ou sua voz forte que me fizeram sentir as tão remotas borboletas no estômago mais uma vez. Me questiono se fui eu quem te achei, ou se você me encontrou.
  Passei muito tempo de minha vida procurando alguém que correspondesse aos meus preceitos, concordasse com minhas opiniões e que tivesse um ou dois autores em comum para discutir teorias. Mas não. Agora vejo que, uma das coisas que mais me prendem a você, é aquilo que há de diferente entre nós. 
   Te decoro a cada instante, e não me canso de pensar em como você vai me abraçar pela manhã, de que maneira vai chegar até meu pescoço e beijá-lo num ritmo quase tão lento quanto seu modo de falar, em como vai me virar do avesso e me deixar amarrotada, apenas esperando por mais um toque teu. Às vezes me pego ouvindo aquelas músicas (as quais não havia conhecido até então) e quase te ouço dizer ''a gente tem tudo pra dar certo''; ou até mesmo buscando aquele restinho do seu perfume que ficou impregnado em meus pulsos, ombros e cabelos. 
   Você já deve saber que me entregar é difícil, porque voltar atrás para mim é complicado. Espero que esse destino tenha se cansado de brincar comigo porque creio que, somente agora, encontrei o melhor lugar do mundo dentro de teu abraço.